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dez/23

O que pedir no final do ano?

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Chegamos as festas do final de um ciclo do calendário. O último mês do ano, assim como os primeiros meses do vindouro, nos colocam dentro de um contexto de reflexão e de esperança. A partir da reflexão sobre as coisas que nos aconteceram, nos projetamos para novas vivências e possibilidades de ‘vir-a-ser’ neste mundo. Por isso, encerramos um ano pedindo que diversas coisas aconteçam em nossa vida futura. Mas, como pedirmos aquilo que realmente fará a diferença em nossas vidas?

Agostinho de Hipona nos recorda que o pedido deve vir acompanhado de uma consciência fervorosa de que Deus deve ser o primeiro a ser desejado pelos homens. “Veja, a voz chama no deserto e quebra o silêncio: Siga o caminho do Senhor. Em outras palavras, eu falo a vocês somente para que Deus entre em seus corações. Mas ele somente entrará em seus corações se vocês o convidarem com suas fervorosas preces.” (Santo Agostinho in Sermão 293, 4). O primeiro pedido que devemos buscar é a presença de Deus em nossos corações. Esta presença irá nos iluminar para tomarmos as melhores decisões possíveis. Ela nos ajudará a discernir o que realmente devemos fazer.

Na verdade, aquele que entende que Deus é o primeiro a ser desejado em seus pedidos coloca a Sua presença como o espaço preferido para a realização das promessas divinas. Desta forma, dificilmente, deixar-se-á abalar pelos percalços da vida cotidiana. “Ó minha alma, por que tanto preocupação com as coisas terrenas e os cuidados mortais? Permaneça comigo e reze pelo Senhor.” (Santo Agostinho in Comentário do Salmo 145, 6)

O cristão católico que pede que Deus habite o seu coração por inteiro entende que, somente através de Deus, a sua ação no mundo é eficaz. Assim, a segunda coisa que reina no universo de seus pedidos junto a Deus é o discernimento de como agir diante das realidades concretas que se apresentam em nossas vidas. Deus, ensinai-me como agir, dizei-me como realizar o seu desejo. Por Vós eu ouço e guardo em minha mente aquilo que ouço. Eu não tenho outro meio de aprender a agir, a não se com o que me ensina a própria ação que realizo.” (Santo Agostinho in Comentário do Salmo 118, 8)

Por conseguinte, a certeza de que Deus está em seu coração também nutre, com segurança, que as suas ações estão pautadas na vontade daquele que habita dentro de si próprio. A presença de Deus é resultado de suas preces. E, mediante a esta premissa, a sua existência no mundo está pautada na possibilidade concreta de realizar o bem através da misericórdia divina. “Senhor, com Vossa ajuda, fizemos o que ordenastes. Recompensai-nos agora com haveis prometido.” (Santo Agostinho in Sermão 31, 6)

Enfim, o que devemos pedir e como devemos agir no final do ano? Esses dois verbos se apresentam como lugares comuns ao término de cada ciclo da nossa vida. A lembrança do nascimento de Jesus reforça esta nossa atitude humana. Deus se faz carne porque nós pedimos a sua presença mais próxima de cada um de nós. E Ele agiu. Fez-se luz, real e concreta, no meio da humanidade. Que aprendamos cada vez mais pedir o que realmente nos favorece e a agir da melhor maneira que consigamos para que este Deus continue se fazendo presente no meio de nós.

Frei Arthur Vianna Ferreira, OSA

- Artigo publicado na coluna Fala Agostinho, do Jornal Inquietude On-line, edição de novembro de 2023.

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