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02
dez/23

Encontro Nacional dos Padres da Caminhada

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O Grupo denominado “Padres da Caminhada”, que surgiu no 4º Sulão das CEBs, em Canoas/RS, entre os dias 15 e 17 de novembro de 2019, e que realizou seu primeiro encontro na Prelazia de São Félix, nos dias 18 a 20 de julho de 2022, na cidade de São Félix, realizou o seu segundo encontro na cidade de São Paulo, nos dias 13 a 17 de novembro de 2023. O tema do encontro: “Pelo Reino a Esperança nos faz caminhar”.

Esse coletivo, sem a pretensão de se constituir como uma instituição formal, é unido e fortalecido a partir de ideais comuns. A preocupação é dar visibilidade aos sinais do Reino anunciado e revelado por Jesus de Nazaré, na radicalidade da opção pelos pobres e descartados da nossa sociedade. Também se cultiva uma preocupação com o futuro do Planeta Terra, sobretudo no que diz respeito às tragédias ambientais agravadas pela voracidade das corporações capitalistas. Tudo desde a vivência de uma sintonia no compromisso com a recepção do Concílio Vaticano II, as orientações do Papa Francisco e a Tradição teológico-pastoral da Igreja no continente latino-americano. Maneira de não se identificar com um setor da Igreja que tem recuado na profecia, e deixado de ser a voz dos sem voz e o sinal de esperança para o povo de Deus, sobretudo para os mais excluídos socialmente.

Uma razão também importante para levar à frente o “Coletivo dos Padres da Caminhada” tem a ver com o incentivo, o apoio, o acompanhamento a muitos irmãos sacerdotes que vivem o isolamento, o desencanto, o sofrimento onde vivem e trabalham.  Para isso, os encontros nacionais, as indicações de leituras (textos, livros), as notícias do que acontece em nível nacional de encontros nas dioceses e paróquias etc. deverão fomentar, por exemplo, a mística cristã, a política na defesa das vidas vulneráveis, uma reflexão teológica e uma pastoral inculturada e libertadora.

O encontro em São Paulo, com mais de 40 sacerdotes representando várias dioceses no Brasil, procurou aprofundar a realidade sociopolítica, econômica, religiosa e cultural do momento; tratou da questão do suicídio de vários sacerdotes; analisou os cenários de Igreja no país, e a respeito da desigualdade social como fruto de um sistema político-econômico que é antropofágico.

Diante do contexto apresentado e analisado, o coletivo dos “Padres da Caminhada” decidiu vários compromissos. Entre esses compromissos destaco: reassumir a opção pelos pobres, por meio de uma aliança com os movimentos populares, pastorais sociais, CEBs, partidos populares, sindicatos ativos; reassumir o compromisso com o caminho sinodal, fomentando processos de inclusão de todas as forças vivas da sociedade; reassumir o compromisso de manter viva e dinâmica a reflexão teológica, na perspectiva da teologia da libertação, privilegiando o método indutivo na pastoral; reassumir o compromisso de enfrentamento da tragédia ambiental que assola o país, em todos os biomas; reassumir o compromisso com a juventude, especial atenção aos novos recursos midiáticos e das redes sociais; reassumir o compromisso com a formação popular geradora de novas lideranças para a Igreja e a sociedade.

O encontro, por ter sido assumido em memória de Dom Paulo Evaristo Arns, encerrou-se na cripta da Catedral da Sé, em São Paulo. Foi um encontro de muita riqueza nas reflexões, nos momentos celebrativos, nos testemunhos dos coirmãos sacerdotes e na convivência fraterna. Tempo que serviu para revigorar a vida e seguir esperançando nas trilhas do Reino.  

Frei Luiz Augusto de Mattos

- Artigo publicado na coluna Theos, do Jornal Inquietude On-line, edição de novembro de 2023.

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