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abr/24

Acompanhamento vocacional: uma experiência pascal

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“Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles.” (Lc 24,15) O capítulo 24 do Evangelho de Lucas é sumamente conhecido em nossas comunidades de fé. Essa perícope, para além de ser um demarcador do tempo pascal, período litúrgico que estamos vivenciando na Igreja, pode – e deve - ser um paradigma para o processo de acompanhamento vocacional.

O itinerário vivenciado pelos dois discípulos no caminho de Emaús é um exemplo de que o acompanhamento, a conversação, a partilha possuem a capacidade de transformar, “abrir os olhos” para novas experiências e possibilidades em nossa vida. Em Emaús, o acompanhamento transforma!

Tomando esse trecho como ponto de partida para a construção de um caminho de acompanhamento, observamos que algumas atitudes são necessárias por parte dos discípulos. O relato dos discípulos de Emaús revela-nos que o conhecimento de Jesus Cristo, a amizade com Ele, a inserção na comunidade dos(as) Seus(uas) seguidores(as) e o testemunho de sua ressurreição são progressivos. Para conhecer o Senhor, é necessário caminhar com Ele, escutar longa e atentamente Sua Palavra, deixar-se cativar por Ele, sentar-se à mesa com Ele e deixar que Ele parta e reparta o pão da vida. E, depois de reconhecê-lO, é necessário realizar imediatamente o “caminho de volta” para a comunidade, para partilhar com os outros a experiência do encontro com o Senhor, professar juntos a fé comum e realizar as obras do Reino.

O acompanhamento vocacional deve, acima de tudo, ser um caminho com o Mestre, na estrada da realidade existencial de cada um de nós, vocacionados à vida com Ele e com os irmãos e irmãs, na comunhão gerada, ensinada e alimentada por Ele.

A palavra “caminho” deve designar a identidade e o modo de vida das comunidades cristãs. Logo, todo processo vocacional deve ser compreendido como um caminho, com suas estações, paradas e trilhas. Entender a dinâmica do caminho nos conduz à compreensão da importância do compartilhar, do caminhar juntos. Dessa forma, somos todos convidados à dinâmica de sermos acompanhantes e acompanhados!

Ser acompanhante é ter na fraternidade e na sororidade o compromisso de animar, durante o caminho, tantos e tantas que necessitam de entusiasmo e companhia para trilhar a sua trajetória rumo a uma nova estação vocacional. É auxiliar na experiência do acompanhamento para que cada vocacionado e vocacionada possam descobrir os desígnios de Deus em sua vida. Assim, alimentamos a nossa disposição em sermos acompanhados por Jesus no caminho.

Todos nós necessitamos estar disponíveis para, desde o nosso caminhar com Cristo e a comunidade, animarmos a todos que desejam caminhar nas estradas de Jesus. Afinal, como nos exorta o Papa Francisco: “Jesus caminha no meio de nós, como fazia na Galileia. Passa pelas nossas estradas, detém-Se e fixa-nos nos olhos, sem pressa. A Sua chamada é atraente, fascinante (Christus Vivit, 277)”.

O acompanhamento vocacional é uma experiência pascal, pois nele aprendemos a caminhar com o Ressuscitado, a reconhecer que Ele caminha no nosso meio e nos atrai, desde os caminhos que trilhamos em nossa existência. Isso implica em nós a disponibilidade para crescer, germinar, vivificar em nós esse dom que é a vocação.   

Para realizar a própria vocação, é necessário desenvolver-se, fazer germinar e crescer tudo aquilo que uma pessoa é. Não se trata de inventar-se, criar-se a si mesmo do nada, mas descobrir-se a si mesmo à luz de Deus e fazer florescer o próprio ser: “Nos desígnios de Deus, cada homem é chamado a desenvolver-se, porque toda a vida é vocação (Christus Vivit, 257)”.

É durante o caminho que vamos compreendendo e assimilando as indicações que Deus nos dá. Na certeza que toda vida é vocação, peçamos ao Ressuscitado a vitalidade para caminhar e, assim, nos comprometermos cada vez mais com o nosso compromisso existencial, a nossa vocação. Queremos, como ensina Santo Agostinho, reconhecer que “somos caminhantes, peregrinos em trânsito. Devemos, pois, sentir-nos insatisfeitos com o que somos, se quisermos chegar ao que aspiramos (Santo Agostinho in Sermão 169,15, 18)”.

Vocação é construção! Vocação é caminho! Vocação é, em comunidade, reconhecer que o Ressuscitado nos chama e nos envia para anunciarmos como vale a pena conviver, caminhar e permanecer com Ele, reconhecendo que toda vida é vocação!

Frei Caio Pereira, OSA
Promotor Vocacional

Artigo publicado na coluna Pro-vocação, do Jornal Inquietude On-line, edição de março de 2024.

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