Piedosa tradição narra que, estando Santa Mônica muito desolada com a morte de seu marido e com os descaminhos de seu filho Agostinho, eis que lhe aparece a Virgem Maria, vestida de negro e trazendo uma correia. Mandou-lhe que se vestisse desta maneira e entregou-lhe a correia, garantindo-lhe a conversão de seu filho. Ele e seus companheiros deveriam vestir-se assim em memória da paixão de Jesus e usar a correia em homenagem a ela.
Bem mais tarde, surgiram na Ordem Agostiniana as Confrarias de Nossa Senhora da Consolação e Correia e de Santa Mônica e Santo Agostinho, unidas em 1575 numa grande Arquiconfraria. No Brasil, a devoção começou a ser divulgada com a chegada dos Agostinianos em 1899.
O título de Maria como Nossa Senhora da Consolação e Correia lembra ao católico a presença da Mãe de Jesus na vida da Igreja, trazendo alegria, paz e esperança a todos os que necessitam de consolo, com carinho especial aos pobres, aflitos, doentes e marginalizados.
Ela recorda a missão de seu filho, que foi sensível à dor e ao sofrimento, e que veio ao mundo para libertar o ser humano de toda espécie de mal, do pecado. Ao trazer nos braços o Menino Jesus, Maria apresenta a única consolação que salva realmente o mundo: O Príncipe da Paz, o Cristo, Filho de Deus e Libertador, a Luz do Alto que vem iluminar a humanidade, oferecendo um novo caminho de solidariedade e de fraternidade.
A Província Agostiniana Nossa Senhora da Consolação nasce, inicialmente, como um Vicariato ligado à Província Sagrado Coração de Jesus, mais conhecida como “Província Matritense”, fundada no Mosteiro Real de El Escorial, na Espanha, em 1895 que é oriunda da missionária Província das Filipinas. A passagem pelo Escorial de um sacerdote galego que trabalhava no Brasil, despertou o interesse para abrir uma missão nas terras brasileiras. Também favoreceram este intento as circunstâncias históricas em que vivia a Província Matritense naquele momento.
A situação de conflituosa da Espanha no final dos anos 20, também contribuiu para o envio de alguns religiosos para o Brasil, no período 1929-1933, com o intuito de preservar as jovens vocações.
Efetivamente, essa foi uma decisão acertada, como se comprovou alguns anos depois, quando eclodiu a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), que levou à morte muitos religiosos agostinianos. Dentre eles, o Beato Frei Manoel Formigo Giraldes, OSA, um dos pioneiros dos agostinianos do Escorial no Brasil.
Inicialmente, os religiosos marcaram presença nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, onde assumiram a direção de paróquias, seminários e pequenos colégios. Constituiu-se então uma Comissaria Provincial, com casas no Brasil, Argentina e Uruguai. Após a Guerra Civil Espanhola, foram fechadas várias obras no Brasil e as da Argentina e Uruguai, permanecendo apenas as casas de Marechal Hermes e Engenho Novo, no Rio de Janeiro, e de Belo Horizonte, onde se fundou em 1934 o Colégio Santo Agostinho, símbolo do ideal educativo que viria marcar decisivamente nosso trabalho evangelizador.
De 1969 a 1983, nossa circunscrição participou de um projeto de formação com todos os Agostinianos do Brasil, quando se constituiu Federação dos Agostinianos do Brasil (FABRA).Devido a várias injunções, não foi possível levar a cabo esse projeto. A partir de 1983, por determinação do Capítulo Geral, o então Vicariato Matritense passou a afiliar os professores brasileiros, tornando-se o esteio da formação agostiniana no Brasil, com o compromisso de trabalhar para a formação da tão sonhada Província Brasileira.
O processo iniciado no final de 1983, conhecido como o “Novo Grupo”, trouxe vitalidade ao Vicariato Matritense, que já iniciara uma época de transformações, na década de 1970, com o incremento da atividade educacional, quando se abriram novas unidades do Colégio Santo Agostinho. Desde os inícios da década de 1970, realizaram-se assembleias vicariais duas vezes ao ano, as quais deram um novo impulso à vida vicarial, em termos de espiritualidade, convivência, participação e corresponsabilidade em todas as decisões, ao mesmo tempo em que se promovia uma maior inserção na vida eclesial, de acordo com as orientações da Igreja na América Latina e no Brasil.
A Sociedade Inteligência e Coração (SIC), fundada em 1937, passou efetivamente a funcionar como entidade civil do Vicariato. De capital importância foi a abertura da missão na Prelazia de São Félix do Araguaia, no Estado do Mato Grosso (1980), que sinalizou um grande passo em direção à opção pastoral da Igreja latino-americana.
Ao assumir, em 1983, a formação como sua prioridade, O Vicariato reafirmou a importância de modular, animar e orientar sua vida pelas assembleias vicariais, realizadas duas vezes ao ano. Com o total apoio da Província Matritense foi crescendo e conquistando a sua autonomia, caminhando com esperança, como uma “comunidade de amigos e irmãos a serviço do Reino de Deus”.
Em 5 de fevereiro de 1988, oficialmente mudou o seu nome para Vicariato Agostiniano de Nossa Senhora da Consolação do Brasil, com o propósito de assinalar uma nova etapa em sua história. Procurou frutificar, dessa forma, o carisma agostiniano em terras brasileiras, definindo suas obras nas várias direções que hoje configuram seu trabalho missionário – evangelizador: casas de formação, escolas, paróquias, assistência social e promoção humana.
No dia 16 de setembro de 2019, o 186º Capítulo Geral da Ordem de Santo Agostinho aprovou a criação da Província Agostiniana Nossa Senhora da Consolação do Brasil.
“Estamos a caminho da unidade tendo como ponto de partida a diversidade. O amor deve reunir-nos para alcançar a unidade e não cair na dispersão da pluralidade”. (Santo Agostinho: Sermão 284,4)
Nossa vida e missão, como religiosos agostinianos da Província Agostiniana Nossa Senhora da Consolação do Brasil, alicerçada na Regra de nosso pai Santo Agostinho, nas constituições, na tradição e história da Ordem e na vivência e anúncio do Evangelho, vem ganhando corpo, força e identidade no decorrer de sua existência e presença no Brasil. Essa identidade faz nascer um modo próprio de ser e de atuar na Igreja e na sociedade como consagrados.
A equipe de Governo Provincial tem como responsabilidade coordenar, dinamizar e acompanhar a vida fraterna, a mística e a missão dos religiosos, das respectivas comunidades e obras mantidas pela Província. Zela pela unidade e pelo cumprimento das decisões tomadas em Capítulo ou nas Assembleias e colocando em marcha o plano de governo aprovado pelos religiosos para cada quatriênio, pelo qual são realizadas as diversas atividades do apostolado e da missão da Província.
O Conselho Provincial foi eleito em 12 de dezembro de 2023, para o quadriênio de 2024 a 2027, durante a programação do II Capítulo Provincial Ordinário, da Província Agostiniana Nossa Senhora da Consolação do Brasil, em Belo Horizonte/MG.