Santo Agostinho, um coração inquieto que encontrou em Deus o sentido de sua vida

Santo Agostinho nos deixou um grande legado que até hoje inspira nossas ações e o nosso jeito de ser e de conviver.

Agostinho nasceu em Tagaste, no ano 354. Em 28 de agosto de 430, aos 76 anos, na cidade de Hipona, seu coração descansou em Deus. Era uma época de grandes desafios e transições. A cidade estava sitiada por vândalos. Em sua sensibilidade, Santo Agostinho partiu sentindo profundamente aquela dramática e dolorosa situação.

Desde o Batismo, em 387, Agostinho percorreu um caminho de conversão, dedicando sua vida ao serviço da Igreja, à busca da verdade e à promoção da unidade. Sua ordenação sacerdotal foi em 391. Quatro anos depois, recebeu a ordenação episcopal, tornando-se bispo de Hipona.

Santo Agostinho permanece como inspiração para todos nós: um coração inquieto que encontrou em Deus o sentido de sua vida e nos ensina a buscar a verdade, cultivar a comunhão e servir com amor.

“Fizeste-nos para Ti, Senhor, e inquieto está o nosso coração enquanto não repousa em Ti.”
(Confissões I, 1)

Santo Agostinho, rogai por nós!

Mensagem do Prior Geral da Ordem de Santo Agostinho, Frei Joseph Farrell, OSA, por ocasição das celebrações de Santa Mônica e de Santo Agostinho:

Prot. 206/2026
Roma, 26 de agosto de 2026


Queridos irmãos e irmãs:

Ao nos aproximarmos dos últimos dias de agosto, quando recordamos Santa Mônica e Santo Agostinho, tenho a alegria de enviar-lhes esta saudação, que nasce de um coração agradecido por todas as bênçãos que recebemos desde a celebração dessas festas, no ano passado.

Ao longo destes últimos doze meses, tivemos a bênção de contar com a presença do nosso irmão, o Papa Leão XIV, que se reuniu e rezou conosco, como irmãos e irmãs, em diversas ocasiões. Sua presença na Missa de abertura e sua participação no 188º Capítulo Geral Ordinário, em Roma, foram encontros extraordinários. Enchenos de alegria ver as muitas ocasiões em que ele recorre ao profundo mar de sabedoria presente nos escritos e na pregação de Santo Agostinho para compartilhá-la com a Igreja universal. A visita realizada em junho ao túmulo de Santo Agostinho, na Basílica de San Pietro in Ciel d’Oro, foi, sem dúvida, um momento marcante. Nessa ocasião, nosso irmão nos lembrou que Santo Agostinho não nos pertence exclusivamente, mas pertence a toda a Igreja. No entanto, acrescentou que o que realmente nos cabe é a responsabilidade da nossa missão de compartilhar Santo Agostinho com o mundo.

Nestes dias de festa, em que celebramos com alegria em nossas comunidades agostinianas e junto às pessoas a quem servimos em nossas paróquias, colégios, igrejas e ministérios, recordemos este desafio do Santo Padre, o Papa Leão XIV. Busquemos formas, tanto tradicionais quanto novas e criativas, de compartilhar São Agostinho com nossos irmãos e irmãs no mundo. Ao fazê-lo, compartilhamos a mensagem de Agostinho, arraigada nos valores evangélicos da verdade, da unidade e do amor. Quando compartilhamos nosso amor por Agostinho e por sua mãe Mônica — e o que eles significam para nós, em nossas comunidades e em nossos ministérios —, entregamo-nos a nós mesmos e cumprimos a responsabilidade que temos como filhos e filhas de Agostinho.

Ao compartilharmos Agostinho, compartilhamos também o seu amor pela unidade que se encontra em Cristo. Somos chamados, de diversas maneiras, a compartilhar a nossa fé em Jesus Cristo em nossos ministérios. Agostinho pregou estas palavras — que devemos guardar no coração — em nossas comunidades e em nossos ministérios:

Proclamem comigo a grandeza do Senhor. Quem é aquele que nos exorta a engrandecer o Senhor com ele? Irmãos, qualquer um de nós que pertença ao Corpo de Cristo deve esforçar-se para que, juntamente com ele, o Senhor seja engrandecido […] Proclamem comigo a grandeza do Senhor. Não quero engrandecer o Senhor sozinho, não quero amá-lo sozinho, não quero abraçá-lo sozinho. Pois não acontece que, se eu o abracei, outro não tenha onde colocar a mão. Tão grande é a amplitude da Sabedoria que todas as almas, juntas, podem abraçá-la e dela desfrutar. Que mais posso dizer-lhes, irmãos? Acendam o amor em vocês e gritem, todos vocês, dizendo: Proclamem comigo a grandeza do Senhor! Que este fervor esteja em vocês. […] Se amam o Corpo de Cristo, isto é, a unidade da Igreja, atraiam a todos para que dela desfrutem com vocês e digam-lhes: Proclamem comigo a grandeza do Senhor! (Santo Agostinho, Comentário sobre o Salmo, 33, 2, 6)

Ao celebrarmos estas festividades por meio de encontros, da Eucaristia e da oração, esforcemo-nos por nos abrir para descobrir novas formas de compartilhar a figura de Santo Agostinho e de Santa Mônica, a nossa herança agostiniana e o nosso amor por Cristo e pela sua Igreja. Descubramos novas maneiras de engrandecer o Senhor e convidemo-los membros das nossas comunidades e ministérios a unir-se a nós para louvar a Deus.

A Santíssima Virgem Maria, em sua Visitação, proclamou a grandeza de Deus que brotava de sua alma. Que ela — juntamente com São José — cuide e proteja a nossa família agostiniana enquanto damos graças a Deus pelas bênçãos que recebemos a cada dia e convidamos outros a se unirem a nós.

Fraternalmente em Cristo,

Frei Joseph L. Farrell, OSA
Prior Geral da Ordem de Santo Agostinho