“Ninguém está excluído do amor de Deus“! Esta foi uma das falas marcantes do Papa Leão XIV em sua viagem apostólica ao continente africano, onde visitou quatro países entre os dias 13 e 23 de abril de 2026: Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial. Em uma jornada marcada por encontros com fiéis, autoridades civis e religiosas, jovens, enfermos, idosos e pessoas privadas de liberdade, Leão XIV reafirmou o compromisso de uma Igreja sinodal, em saída, comprometida com a paz, a justiça social e a dignidade humana.
A visita fraterna à comunidade agostiniana de Annaba, foi um dos primeiros compromissos na Argélia. O Papa encontrou‑se com os frades que atuam na Basílica de Santo Agostinho. Um encontro entre irmãos, com amizade e simplicidade, expressão viva da comunhão agostiniana que se constrói na fraternidade entre os povos e as nações. Participaram o Prior Geral, Frei Joseph Farrell, OSA, o Assistente Geral, Frei Martin Davakan, OSA, e o Frei Augustine Ugbomah, que está a serviço da Sacristia Papal.


Leão XIV também visitou a comunidade das Irmãs Agostinianas Missionárias, em um encontro de amizade, afeto, comunhão e esperança. Recordando o testemunho das mártires agostinianas, Esther e Caridad, o Papa agradeceu-lhes pelo testemunho e pela presença em uma realidade nem sempre reconhecida.


Mensagem de paz, reconciliação e esperança
Ao longo da viagem, Leão XIV reforçou a centralidade de Cristo e o papel da Igreja na promoção da paz, da reconciliação e da justiça social, especialmente em contextos marcados por pobreza, conflitos e desigualdades. Em diversos discursos, convidou as comunidades locais a serem sinais de esperança e comunhão, sem ceder à desesperança diante dos desafios.
Argélia: raízes cristãs e diálogo inter-religioso
Na primeira etapa da missão, o Pontífice visitou Annaba, onde prestou homenagem a Santo Agostinho no sítio arqueológico de Hipona, local de seu episcopado. Ali, plantou uma oliveira e renovou seu apelo à paz, à unidade e à harmonia entre os povos.
Durante os encontros, na Argélia, chamou atenção para os efeitos do neocolonialismo, das desigualdades sociais e das violações do direito internacional, além de incentivar o diálogo entre cristãos e muçulmanos, destacando a oração e a presença cristã como testemunho discreto e essencial.
Camarões: denúncia da pobreza e da exploração
O Papa esteve em Bamenda, onde participou de um Encontro pela Paz e presidiu uma missa com milhares de fiéis. Na homilia, denunciou a pobreza, a corrupção e a exploração externa do continente africano, alertando que essas realidades não devem levar ao desânimo, mas à ação transformadora e à esperança. Ainda no país, visitou o Hospital São Paulo, em Douala, ressaltando a importância da compaixão, da solidariedade e do cuidado com os doentes como expressão concreta do amor cristão.
Angola: escuta, cuidado e dignidade dos idosos
Leão XIV passou pela cidade de Saurimo, onde visitou um centro de acolhimento para idosos, muitos deles abandonados pelas próprias famílias. Ao definir o local como um verdadeiro “lar”, afirmou que Jesus habita onde há amor, perdão, reconciliação e oração.
O Pontífice enfatizou que o modo como uma sociedade cuida de seus membros mais frágeis revela a qualidade de sua vida social e lembrou que os idosos devem ser escutados, pois guardam a memória e a sabedoria do povo.
Guiné Equatorial: juventude, memória e misericórdia
Última etapa da viagem, a Guiné Equatorial concentrou uma agenda intensa entre Malabo e Bata. O Papa inaugurou a Escola Tecnológica “Papa Francisco”, abençoando as instalações e destacando o talento e o potencial da juventude local. Em Bata, visitou uma prisão, onde deixou uma forte mensagem de misericórdia e esperança: “Ninguém é excluído do amor de Deus”. No encontro com os detentos, defendeu uma justiça voltada não apenas para a punição, mas para a reconciliação e a reconstrução da vida. O Papa também rezou no monumento dedicado às vítimas da explosão de 7 de março de 2021 e encontrou-se com jovens e famílias.
A Missa no Estádio de Malabo, na capital da Guiné Equatorial, reuniu cerca de 30 mil fiéis, no encerramento da visita. Na homilia, o Papa resumiu o sentido da viagem afirmando partir do continente com um “tesouro inestimável de fé, esperança e caridade”, feito de histórias, rostos e testemunhos que enriqueceram profundamente seu ministério como sucessor de Pedro.
Temas globais no retorno a Roma
Durante o voo de regresso a Roma, Leão XIV conversou com jornalistas e reafirmou que o centro de cada viagem apostólica é o anúncio do Evangelho. Manifestou posição firme contra a guerra, condenou a pena de morte e desaprovou o tratamento desumano dado aos migrantes, questionando a responsabilidade das nações mais ricas em relação aos países mais pobres.
Legado da viagem
Pela duração e intensidade, a visita recorda a realizada por São João Paulo II em 1985, quando visitou sete nações africanas em 11 dias. O continente reúne 54 países, possui a segunda maior população do planeta e enfrenta graves desafios socioeconômicos. Ao se despedir da África, o Papa agradeceu às autoridades civis e eclesiásticas, aos missionários e a todo o povo de Deus, confiando famílias e comunidades à intercessão de Nossa Senhora.
A viagem reforçou o papel central da África na vida e na missão da Igreja, deixando uma mensagem de esperança, unidade e compromisso com a dignidade humana e a paz.
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Fonte: VaticanNews
Imagens: Cúria Geral Agostiniana e @vaticanMedia