Monjas Agostinianas contemplativas: Interioridade como caminho

De forma muito significativa, as Monjas Agostinianas Contemplativas participaram do 188º Capítulo Geral da Ordem de Santo Agostinho. Em um espaço de acolhida e escuta profunda, as religiosas apresentaram à assembleia o testemunho vivo da interioridade, da comunhão e da oração que sustentam a vida da Igreja. Um momento histórico.

Na tarde de 12 de setembro, Madre Mónica Gianfrancesco (Federação Italiana), Madre Laura Durán Domínguez (Federação Espanhola de Nossa Senhora do Bom Conselho e Santo Alonso de Orozco) e Madre Prado González Heras (Federação da Conversão de Santo Agostinho, compartilharam com os frades capitulares a riqueza espiritual e organizacional das cinco Federações de Monjas Agostinianas existentes no mundo.

O Prior Geral cessante, Frei Alejandro Moral Antón, OSA, destacou a importância das monjas como parte essencial da família agostiniana, guardiãs do “tesouro da interioridade”, como já afirmou o Papa Leão XIV. As presidentes apresentaram não apenas a realidade de suas federações, mas também a de outras que não puderam estar presentes, revelando a diversidade e a profundidade da Segunda Ordem.

Presença que transforma
A participação das monjas foi marcada por escuta mútua, partilha de experiências e um convite à comunhão. “Foi muito lindo”, disse Madre Prado. “Demos e compartilhamos o que somos.” Madre Laura complementou: “O que você não conhece, você não ama. Levamos essas experiências e pessoas conosco para nossas orações diárias.”

O encontro também foi espaço para refletir sobre o processo sinodal da Igreja, reforçando a urgência de construir juntos, com espírito de unidade e fraternidade. “Sempre fomos convidadas como parte da Ordem, mas nunca com essa profundidade de escuta e troca de dons”, afirmaram.

Estruturas de comunhão e esperança
As religiosas explicaram que suas funções não são de governo, mas de serviço fraterno: acompanhar, fortalecer o carisma e promover a unidade entre os mosteiros. Cada federação tem sua história e realidade — da tradição eremítica da Federação Italiana ao frescor da Federação da Madre Prado, passando pelo espírito colaborativo da Federação Espanhola.

A experiência de ajuda mútua entre conventos, especialmente em tempos de fragilidade, foi destacada como sinal de esperança e vitalidade. “A vida sempre prevalece”, disseram, ao falar sobre afiliações e apoio entre comunidades.

Chamadas à vida contemplativa
Durante a sessão, as monjas fizeram um apelo aos religiosos agostinianos: que a vida interior e a oração não sejam sufocadas pelo ativismo. “Todos somos chamados à contemplação”, afirmou Madre Prado. “Ela nos permite ver o rosto de Deus e o clamor da humanidade.”

A vida fraterna e contemplativa, segundo elas, é o que sustenta qualquer serviço. “As pessoas precisam ver comunidades que rezam e se amam. Isso é o que atrai os jovens: uma vida enraizada em Deus e vivida em comunhão”, disse Madre Laura.

Uma só alma para com Deus
A participação das monjas no Capítulo Geral foi profética. Elas lembraram à Ordem que a vivência do Evangelho, em comunidade, é o verdadeiro caminho para que “todos sejam um, para que o mundo creia”.

A presença das Irmãs foi um sopro de espiritualidade, um chamado à escuta do Espírito e à redescoberta da interioridade como fonte de missão. Sua história, sempre antiga e sempre nova, continua a iluminar os caminhos da Ordem e da Igreja.