A Ordem de Santo Agostinho, na conclusão de seu 188º Capítulo Geral Ordinário, em fidelidade a seu carisma e em comunhão com a Igreja universal, particularmente animada pela eleição do Papa Leão XIV, o primeiro de seus filhos que acede ao ministério petrino, no marco da esperança jubilar e na memória do Santo Padre o Papa Francisco, deseja declarar seu irrenunciável compromisso em viver a fraternidade, dom de Deus e fruto de uma comunhão autêntica, que nasce da defesa humilde e sincera da Verdade, incansavelmente buscada no diálogo, no respeito e no amor de caridade.
Mediante o testemunho de nossa vida fraterna “tratamos de anunciar a todos os povos o Evangelho de Cristo e de fazer partícipes de sua redenção todos os homens”[1]. Em um mundo profundamente marcado pelo egoísmo, a divisão e a violência, a justiça é uma exigência e, ao mesmo tempo, o fruto maduro deste mesmo Evangelho, pois ali onde se prega o nome de Cristo a injustiça retrocede e toda exploração do homem pelo homem desaparece se somos capazes de receber-nos uns aos outros como irmãos[2].
O sentido de nossa missão nos impele a oferecer o testemunho de nossa solidariedade e a trabalhar pela defesa dos mais vulneráveis e pela promoção de uma cultura que proteja e eleve a dignidade humana. A isso estamos dispostos em cada uma de nossas comunidades, espalhadas por todos os continentes, junto com toda a família agostiniana que compartilha conosco o carisma.
O orgulho divide; a humildade une. Irmãos em comunidade, somos testemunhas de que somente a partir da humildade pode surgir uma fraternidade que fale ao mundo da ternura de Deus. Esta fraternidade, fruto da comunhão à que aspiramos como centro de nosso carisma, não pode expressar-se a não ser em uma conversão à paz, uma paz justa, uma paz sempre in fieri, até a paz definitiva, que refuta veementemente o uso das armas e a opressão violenta sobre os mais débeis. Por isso, levantamos a voz pela paz, suplicamos pela paz, rezamos pela paz, em todas as partes do mundo, também ali onde o ruído da guerra e da violência é silenciado. Com o Papa Leão XIV, ao mesmo tempo em que apelamos a quem tem em suas mãos o destino dos povos, pedimos que a paz nasça em primeiro lugar em nossos corações, “uma Paz desarmada e desarmante, humilde, perseverante.”[3]
Na busca do bem comum, Santo Agostinho nos recorda que a paz é a tranquilidade da ordem[4]. Como Agostinianos, cremos que o bem comum se constrói quando cada pessoa é valorizada em si mesma e a comunidade se converte em espaço de verdade e caridade. Nossa vida fraterna quer ser sinal desta ordem pacífica que Deus deseja para todos.
Este quer ser o nosso compromisso missionário, ao qual queremos servir e que queremos apresentar a nosso mundo como dom a implorar e tarefa a realizar.
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Frei Joseph L. Farrell, OSA
Prior Geral da Ordem de Santo Agostinho
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[1] Constituições da Ordem de Santo Agostinho 144.
[2] Cf. Papa Leão XIV, Telegrama aos bispos da Conferência Eclesial da Amazônia, 18/08/2025.
[3] Primeira saudação do Papa Leão XIV no balcão central da Basílica de São Pedro, 09/05/2025.
[4] Cf. A Cidade de Deus XIII,1.