Espaço Cassicíaco aprofunda reflexão sobre a mentira à luz de Santo Agostinho

No encontro do Espaço Cassicíaco, realizado no dia 8 de abril, Frei José Flávio Cassiano, OSA, conduziu uma reflexão sobre o Capítulo 5 da obra Sobre a Mentira, de Santo Agostinho, com a participação dos núcleos da Fraternidade Agostiniana Secular (FAS) da Província Agostiniana da Consolação.

A partir do tema “Opiniões humanas e testemunhos das Escrituras”, o encontro aprofundou a discussão proposta por Agostinho sobre a possibilidade — ou não — de se justificar a mentira, mesmo quando há intenção de alcançar um bem. O texto analisado levanta a pergunta central: “se por algum motivo pode ser útil dizer uma coisa falsa com a intenção de enganar” (DM 5,1), questão que atravessa tanto experiências humanas quanto interpretações bíblicas.

Durante a reflexão, Frei José Flávio apresentou exemplos do Antigo Testamento, como o episódio de Sara, que nega ter rido ao ouvir que teria um filho na velhice (Gn 18,12‑15); Jacó, que se faz passar por Esaú para receber a bênção do pai (Gn 27,18‑29); e as parteiras egípcias, que mentem ao faraó para preservar a vida das crianças hebreias (Ex 1,15‑21).

Ao mesmo tempo, foi ressaltado que, segundo Santo Agostinho, o Novo Testamento não oferece fundamento para a imitação da mentira, exceto em expressões de caráter alegórico, próprias da linguagem e do contexto histórico. Nesse sentido, foi destacado o testemunho de São Paulo, especialmente na carta aos Gálatas, ao afirmar que práticas religiosas não podem ser confundidas com o caminho da salvação: “Se vos deixardes circuncidar, Cristo não vos servirá de nada” (Gl 5,2).

A reflexão enfatizou que salvar uma vida é sempre um ato louvável, mas que isso não autoriza o uso das Sagradas Escrituras para justificar a mentira. Agostinho chama a atenção para a necessidade de compreender as passagens bíblicas dentro de seu contexto histórico, literário e teológico, reconhecendo o uso de alegorias sem transformá‑las em norma moral.

O encontro reafirmou, assim, a importância do discernimento e da fidelidade à verdade, valores da espiritualidade agostiniana, fortalecendo a caminhada formativa da Fraternidade Agostiniana Secular no estudo, na fé e na vivência comunitária.

Núcleos da FAS da nossa Província:
Núcleo Nossa Senhora da Consolação (Belo Horizonte – MG)
Núcleo Santo Agostinho (Belo Horizonte – MG)
Núcleo Santa Rita (Chapada do Norte – MG)
Núcleo Santa Mônica (Rio de Janeiro – RJ)
Núcleo São Nicolau de Tolentino (Rio de Janeiro – RJ)
Núcleo Beato Estêvão Belessini (Bragança Paulista – SP)
Núcleo Santa Clara de Montefalco (Fortaleza – CE)
Grupo Augustinus (Fortaleza – CE)

Sobre Cassicíaco
Refere-se ao tempo vivido por Santo Agostinho quando, aos 32 anos reuniu seu filho Adeodato, sua mãe Mônica e seus amigos em uma propriedade próxima a cidade de Milão, estabelecendo temporariamente ali uma comunidade dedicada aos trabalhos do campo, da casa, ao estudo e a oração.