O Programa Igreja Sinodal, da TV Horizonte, encerrou a série dedicada à Exortação Apostólica Dilexi Te, do Papa Leão XIV, refletindo sobre a sinodalidade como dimensão essencial da vida da Igreja. A edição divulgada no dia 24 de janeiro, contou com a mediação do filósofo Marcus Tullius e a participação do Frei Luiz Antônio Pinheiro, OSA, Prior Provincial da Província da Consolação, doutor em Teologia e professor da PUC Minas, e da professora Marilza Schuina, especialista em educação e assessora da Comissão Episcopal para o Laicato da CNBB. O encontro propôs olhar para Dilexi Te à luz da sinodalidade, compreendendo que ela não é apenas um tema social ou pastoral, mas a própria forma de ser Igreja.
Abrindo a reflexão, Marcus Tullius contextualizou a abordagem destacando que, Dilexi Te nasce no contexto crucial de implementação do caminho sinodal impulsionado pelo Papa. E propôs a questão sobre como a Igreja pode avançar na prática do “discernimento comunitário”, e na necessidade de conversão.
Durante a conversa, Frei Luiz destacou que, embora a palavra “sinodalidade” não apareça de forma explícita na exortação, o documento está profundamente alinhado com a visão de uma “Igreja em saída”. Ele apresentou a fundamentação bíblica dessa compreensão, lembrando que a ideia de “caminhar juntos” remonta à experiência do povo de Deus no Antigo Testamento e aos primeiros cristãos, conhecidos como “seguidores do caminho”. Ao tratar da relação entre sinodalidade e pobreza, reforçou que os pobres não são apenas destinatários da ação pastoral, mas parte fazem parte da caminhada e da missão por meio das quais Deus também fala à Igreja.
Em sua contribuição, a professora Marilza Schuina detacou que o caminho sinodal começa com uma espiritualidade do seguimento de Jesus, que está sempre em movimento, sempre “no caminho”. Marilza enfatizou que a espiritualidade proposta pela exortação é vivencial, concreta e encarnada na realidade, e não um simples momento de contemplação. Ao afirmar “Cuidar do outro faz bem, cuidar do mundo faz bem”, ela ressaltou que o cuidado deve se traduzir em justiça social e políticas públicas. Para isso, defendeu que a Igreja precisa abandonar a lógica do controle para cultivar uma cultura de educação, diálogo e escuta, especialmente com aqueles que pensam diferente.
Frei Luiz também comentou a visão do Papa Leão XIV, ressaltando que o pontífice utiliza com frequência a ideia de proximidade. Para ele, a exortação Dilexi Te expressa uma recepção viva dos ensinamentos do Concílio Vaticano II, trazendo-os para os desafios contemporâneos e chamando a Igreja a permanecer próxima das realidades humanas e sociais.
Entre suas reflexões, Frei Luiz afirmou que os pobres não representam uma simples categoria sociológica, mas pessoas cuja experiência de vida ilumina a comunidade cristã. E que aqueles que vivem às margens têm muito a ensinar e contribuir para apontar o caminho de Jesus. Destacou ainda que o Espírito Santo age através das pessoas de forma concreta e que, por isso, o verbo fundamental da sinodalidade é escutar.
O programa foi concluído com um retorno de Marcus Tullius à expressão “proximidade”, apresentada como o fio condutor de uma Igreja que caminha com todos e não deixa ninguém à margem. Frei Luiz recordou a centralidade do amor aos pobres no Evangelho e questionou como ainda há cristãos que não valorizam esse aspecto tão evidente nos ensinamentos de Jesus. Concluiu afirmando que olhar para os pobres é ir ao coração do Evangelho e reconhecer a presença de um Deus que ama a todos e caminha com seu povo.
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