No dia 4 de setembro, celebramos Nossa Senhora da Consolação e Correia, Padroeira da Ordem de Santo Agostinho e da Província Agostiniana Nossa Senhora da Consolação do Brasil.
Desde o século XVII, a Ordem de Santo Agostinho venera a Santíssima Virgem Maria sobretudo sob os títulos de Mater Consolationis (Mãe da Consolação) e Mater Cincturatorum (Mãe dos Cinturados). Essa devoção remonta à tradição segundo a qual Nossa Senhora teria aparecido a Santa Mônica, mãe de Santo Agostinho, trazendo-lhe consolo e entregando-lhe uma correia como sinal de proteção e esperança.
A história de Santa Mônica tem lugar especial nessa espiritualidade. Durante anos, ela perseverou em oração pela conversão do filho, confiando a Deus suas angústias e esperanças. Sua espera foi recompensada quando Agostinho abraçou a fé, tornando-se posteriormente sacerdote, bispo e um dos grandes santos e pensadores do cristianismo. Por isso, a devoção à Mãe da Consolação recorda a esperança de todos aqueles que confiam suas vidas e intenções à intercessão de Maria.
Segundo a tradição agostiniana, depois de sua conversão e batismo, e já falecida Santa Mônica, o próprio Agostinho vestiu-se de negro e cingiu-se com a correia, legando esse sinal, hábito e correia negros, aos seus discípulos na vida religiosa. Com o tempo, a correia tornou-se, ao lado do coração transpassado, o símbolo mais característico da espiritualidade agostiniana, passando inclusive a compor o brasão da Ordem.
A iconografia tradicional retrata a Virgem com o Menino Jesus ao colo, entregando a correia a Santo Agostinho e a Santa Mônica, unidos na mesma confiança na proteção materna de Maria.
Embora Santo Agostinho não tenha dedicado obras específicas à figura de Maria, sua teologia lançou bases que marcariam a espiritualidade mariana de seus filhos e filhas. Para ele, Maria gerou corporalmente a Cristo, a Cabeça, assim como a Igreja gera espiritualmente os demais membros desse mesmo Corpo; e destacava que, mais do que por ser mãe de Jesus, Maria deve ser reconhecida por ter sido, antes de tudo, sua discípula, inteiramente entregue à escuta e ao cumprimento da Palavra.
Essa confiança na proteção materna de Maria ecoou em outros filhos de Agostinho ao longo dos séculos. Santo Tomás de Villanova, arcebispo agostiniano de Valência no século XVI, dirigia-se a ela nestas palavras: “A ti recorremos todos. Tu és a nossa proteção, o nosso refúgio, o nosso único remédio, sustento e amparo. Não conhecemos outro refúgio além de ti; só tu és a esperança em que podemos confiar.” Palavras que traduzem bem o que a Ordem reconhece em Maria como Mãe da Consolação.
A Santíssima Virgem Maria é chamada Mãe da Consolação porque, por meio dela, Deus ofereceu ao mundo Jesus Cristo, o verdadeiro Consolador. Unida aos sofrimentos da Paixão e à alegria da Ressurreição de seu Filho, ela permanece próxima daqueles que enfrentam tribulações. Depois da Ascensão do Senhor, esteve junto aos Apóstolos, implorando o dom do Espírito Santo. Elevada ao céu, continua sendo intercessora e sinal de esperança, cuidado e consolo.
Essa devoção também deixou sua marca na oração da própria Ordem. Desde pelo menos o ano de 1284, os agostinianos rezavam a vigília mariana “Benedicta tu” (“Bendita és tu”, saudação de Isabel a Maria em Lucas 1,42), atribuída pela tradição da Ordem ao próprio Santo Agostinho. Com o tempo, essa antífona passou a ser recitada quase todos os dias do ano, ao final do último ofício do dia, tornando-se uma das expressões marianas mais características da espiritualidade agostiniana.
“Tu és a nossa proteção, o nosso refúgio, o nosso único remédio.”
(Santo Tomás de Villanova, OSA)
Ao longo dos séculos, a Ordem de Santo Agostinho difundiu essa devoção em diferentes lugares, mantendo viva a fé e a confiança na presença materna da Santíssima Virgem Maria.
Maria, Mãe da Consolação, acolhe em seu manto todo coração inquieto e cansado. Por meio dela, Deus nos deu o verdadeiro Consolador: Jesus Cristo.
“Sob a vossa proteção nos refugiamos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.”





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