Descobertos na Polônia dois sermões inéditos de Santo Agostinho

Mais de 1.600 anos depois, Santo Agostinho continua a falar ao coração da Igreja e da humanidade. Os dois sermões inéditos de Agostinho foram identificados em um manuscrito medieval conservado na Biblioteca Diocesana de Pelplin, na Polônia.

A descoberta teve início em 2024, quando um códice contendo quatro sermões atribuídos a Santo Agostinho passou a ser estudado por uma equipe liderada pelo professor Christian Tornau, da Universidade de Würzburg, na Alemanha. Dos quatro textos analisados, dois já eram conhecidos pelos especialistas, enquanto os outros dois revelaram-se inéditos.

Durante quase dois anos, os pesquisadores realizaram uma rigorosa análise filológica para comprovar a autenticidade dos escritos. O estudo examinou aspectos como o vocabulário, o estilo literário, o contexto histórico, as referências bíblicas e as práticas litúrgicas descritas nos sermões. Segundo Christian Tornau, não foram encontradas objeções relevantes à atribuição dos textos a Santo Agostinho, e os elementos analisados confirmam sua autoria.

Os dois sermões abordam a passagem bíblica da necromante de Endor, narrada no capítulo 28 do Primeiro Livro de Samuel, um dos episódios mais debatidos do Antigo Testamento. A descoberta possui especial relevância porque são os únicos sermões conhecidos em que Santo Agostinho dedica uma reflexão exclusivamente a esse tema.

Embora os textos não apresentem novidades doutrinárias significativas, eles oferecem um novo testemunho da forma como Santo Agostinho interpretava as Escrituras, ensinava os fiéis e exercia seu ministério pastoral. Para a Ordem de Santo Agostinho e para os estudiosos de sua obra, o achado enriquece o patrimônio agostiniano e renova a esperança de que outros textos ainda desconhecidos possam ser encontrados no futuro.

A edição crítica dos dois sermões está em preparação e tem publicação prevista para o fim de 2026.