Parabéns à nova Província da Ordem de Santo Agostinho

No 188º Capítulo Geral Ordinário da Ordem de Santo Agostinho, realizado em Roma, no dia 18 de setembro de 2025, foi aprovada a criação da Província Agostiniana do Sagrado Coração de Jesus do Panamá e Costa Rica. No dia 30 de janeiro de 2026, ela foi solenemente instalada em celebração eucarística na catedral de Santa Maria la Antigua, na cidade do Panamá. A missa foi presidida pelo Núncio Apostólico, Dom Dagoberto Campos Salas. Na homilia, Dom José Domingo Ulloa Mendieta OSA, Arcebispo do Panamá, recordou a trajetória agostiniana em terras panamenhas. Estiveram presentes o Prior Geral da Ordem, Frei Joseph Farrell, e outros frades agostinianos, provenientes de Roma, da Espanha e vários lugares da América Latina e Caribe. Tivemos a alegria de participar desse significativo momento, em representação da Província da Consolação.

A primeira presença agostiniana no Panamá data de 1612, quando chegaram os missionários procedentes da Colômbia, e fundaram o Convento Santo Agostinho. Esta primeira etapa foi muito conturbada, devido a uma série de disputas entre os Eremitas Agostinianos (assim se denominava a Ordem então) e os Agostinianos Recoletos (uma reforma da Ordem no século XVI). Em 1649, o convento e a obra missionária passaram para as mãos dos Recoletos que, no início do século XX, constituíram uma ordem autônoma, a Ordem dos Agostinianos Recoletos (OAR). Na década de 1960, a Ordem de Santo Agostinho (OSA) começou uma missão no Panamá. Já bem entrado o novo milênio, foram abertas duas novas casas da OSA em Costa Rica. Em 2018, com a união das províncias espanholas, os frades do Panamá começaram a se preparar para a criação da sua província, cujo pedido foi formalizado no capítulo provincial da Província de São João de Sahagún, da Espanha, em 2025.

A Província da Consolação e a recém-inaugurada Província do Panamá podem considerar-se províncias-irmãs. Ambas são originárias da Província Matritense, cujo nome era Província Agostiniana do Sagrado Coração de Jesus de Madri. Sugestivo foi que o antigo Vicariato do Panamá, cujo patrono era Santo Tomás de Vilanova, escolheu agora como padroeiro o Sagrado Coração de Jesus, em homenagem à província-mãe. A Província Matritense enviou em 1929, missionários para o Brasil, que formaram a Vicaria Matritense e que, posteriormente, mudou o nome para Vicariato da Consolação (1988) e que hoje constitui a Província Agostiniana Nossa Senhora da Consolação do Brasil, desde 2019.

Em 1966, a Província Matritense também enviou missionários para o Panamá, dois deles pioneiros, os quais têm uma forte ligação com o Brasil: Frei Felix Valenzuela OSA, que trabalhava no Chile, e foi destinado ao Panamá, e em 1970 veio para o Brasil, onde permanece até hoje; e Frei Rafael del Valle OSA, que trabalhou vários anos no Brasil, e daqui foi destinado ao Panamá, também em 1966, onde, por sua vez, permaneceu por 47 anos (1966-2013).

As duas primeiras missões daquela “aventura missionária” foram em Chitré e logo a seguir Tolé, onde era forte a presença indígena. Na primeira fundação destacou-se Frei Rafael e na outra Frei Felix Valenzuela. Mais tarde chegaram outros religiosos: Francisco Galende, Moisés González, Andrés Pallarés, Miguel Ángel Keller, José Majadas, Rafael Alonso, Jesús Torres, José Luís Berver, Julio de la Calle e José Luís Laín. Os primeiros frades se dedicaram a colaborar na pastoral paroquial e no acompanhamento de movimentos eclesiais, assim como na pastoral indígena.

Pouco a pouco os frades foram assumindo outros trabalhos apostólicos, entre os quais a pastoral educativa, abrindo vários colégios e paróquias, marcando presença sobretudo na capital do Panamá, a cidade de Panamá. As vocações foram crescendo, o que permitiu a consolidação da pastoral vocacional e da formação inicial de novos Agostinianos. Da colaboração deste Vicariato com a delegação de Costa Rica foi possível então, a criação desta nova Província, que atualmente conta com 55 religiosos (46 de votos solenes e 9 de votos temporários).

Frei Miguel Ángel Orcasitas OSA, que foi Prior Geral da Ordem (1989-2001), também ele originário da Província Matritense, testemunha que a proximidade junto às comunidades locais e o conhecimento da realidade nacional foram determinantes para a criação da nova Província. Frei Orcasitas aconselha que a nova província se mantenha fiel à própria vocação, viva segundo o espírito do carisma agostiniano e siga os passos daqueles exemplos espirituais que marcaram a espiritualidade da Ordem. Segundo ele, é fundamental consolidar uma presença institucional que permita dar continuidade ao trabalho pastoral e missionário dos pioneiros. Ele também assegura que isso é possível graças à colaboração dos leigos que estão plenamente comprometidos com a missão em Tolé, com a pastoral paroquial e educativa e outras frentes assumidas pela província.

Dom José Ulloa, um bispo agostiniano, arcebispo do Panamá, filho da nova Província, como panamenho e pastor daquela Igreja, expressa com gratidão e reconhecimento esse acontecimento da seguinte maneira: “Se existe um ‘segredo’ nesta história agostiniana no Panamá, este foi o amor sincero pela Igreja e pelo povo panamenho”. Ele destaca que, desde o primeiro momento, os frades souberam inculturar-se, amaram as tradições do povo, caminharam com as comunidades e compartilharam a mesma mesa.

No dia 26 de janeiro de 2026, durante a realização do primeiro Capítulo Provincial, Frei Carlos de la Cruz OSA, até então Vicário Regional do Panamá, foi confirmado como primeiro Prior Provincial. Assim ele testemunha o rico caminho realizado: “Os irmãos da Província Matritense nos prepararam para este momento. Ensinaram-nos algo que eu chamo de autonomia vigiada ou autonomia acompanhada, e isso nos ensinou a gerir nossas próprias coisas”. 

Ele afirma que o sentido da nova Província é a evangelização: “Existimos para viver consagrados a Deus e levar a mensagem de Jesus Cristo a todas as comunidades”. Destaca também que a Ordem de Santo Agostinho no Panamá continuará a priorizar a missão de Tolé, na defesa dos direitos indígenas; o impacto educativo na sociedade, por meio dos três colégios, com milhares de alunos; a formação no Seminário Santo Agostinho; bem como o trabalho pastoral nas paróquias e o acompanhamento das Fraternidades Agostinianas Seculares, muito vivas e atuantes.

À nossa Província-Irmã manifestamos nossa alegria e também expressamos o sincero desejo de que cresça, se desenvolva e frutifique em muitas vocações e obras apostólicas, colaborando, assim com a Igreja no anúncio do Evangelho e na construção do Reino de Deus em terras latino-americanas e caribenhas. Nossas orações e fraterno acompanhamento. Ad multos anos!

Frei Luiz Antônio Pinheiro, OSA
Artigo publicado na coluna Reflexão, do Jornal Inquietude On-line, edição de fevereiro de 2026.

Foto: Província Agostiniana do Sagrado Coração de Jesus do Panamá e Costa Rica.