O esporte: a escola da vida da paz e da fraternidade universal

Arsenal ou Paris Saint Germain… quem ganhará a Liga dos Campeões? E a Liga Nacional de Vôlei? Como estão os atletas de nosso país nas modalidades desportivas para a próxima Olimpíada? Perguntas como essas mobilizam inúmeras pessoas que estão envolvidas, acompanham e valorizam as atividades esportivas. Muito mais do que um simples exercício corporal, o esporte promove a competitividade, a evolução humana pessoal e o crescimento comunitário. Ao afirmar que o esporte é a “escola da vida para a paz e a fraternidade universal”, o Papa Leão XIV nos insere num universo muitas vezes subvalorizado no mundo desportivo.

Leão XIV expressou seu carinho pelo esporte ao escrever uma carta por ocasião da celebração dos Jogos Olímpicos de Inverno, que aconteceram na Itália em fevereiro deste ano. Na carta, o Papa ressalta a importância do esporte, sua característica de unidade e a promoção da fraternidade universal. Leão XIV comenta que a história do esporte mostra o interesse das pessoas nas mais variadas atividades esportivas, como uma expressão de busca e crescimento espiritual, inclusive. De fato, em sua vida, o Papa sempre praticou atividades esportivas, especialmente o tênis, seu hobby, passando pelo basquete, quando tentou equilibrar no dedo uma bola dessa modalidade no Vaticano, e encerrando no futebol, quando acompanhou a paixão dos peruanos por esse esporte no tempo em que lá residiu.

Para o Papa, o esporte possui uma característica de unidade. Em primeiro lugar, porque é capaz de integrar na pessoa humana corpo, mente e espírito e proporcionar o desenvolvimento integral da pessoa. A prática do esporte faz bem para o corpo na medida em que leva a pessoa a adquirir hábitos saudáveis; na mente, há a integração de elementos inerentes à vida cotidiana e que, no esporte, são vivenciados e, com leveza, compreendidos. No espírito, o esporte é capaz de conduzir à unidade. No entanto, as competições são marcadas por características próprias: há vencedores e perdedores. Assim como há glória na vitória, há humildade e glória em saber perder e recomeçar. Estamos juntos e participamos juntos: vencedores e perdedores. Portanto, o esporte deve promover a unidade, uma vez que nos ensina a viver valores como o perdão, a justiça e a paz.

Por fim, o esporte deve promover a fraternidade universal. Para o Papa, o esporte é um espaço de encontro, relações e convivência, devendo, portanto, promover relações saudáveis, respeito às regras e prática comunitária. Em um mundo marcado pela polarização, pelo desrespeito às diferenças, pelo individualismo e pela cultura do “cancelamento”, as atividades esportivas não devem causar divisão, mas serem fonte de união e fraternidade universal.

Desse modo, muito mais do que conhecer e premiar os vencedores, é necessário valorizar todos aqueles que, nesse espaço, vivenciam os valores da misericórdia, da paz e do perdão. É importante participar e acompanhar as atividades esportivas, e ver quem será o campeão da Liga dos Campeões, por exemplo, mas nosso olhar deve estar “para além”. É possível ver a ação de Deus, é possível promover o respeito,  a união e o encontro! Nesse sentido, à primeira vista, pode parecer estranho ver o Papa jogando tênis, mas, para além de qualquer função, há o anseio da humanidade em construir a paz. O esporte também é esse lugar!

Frei Thales Ryan de Carvalho, OSA
Ecônomo e Vigário Paroquial

Foto: O Papa Leão XIV com os Harlem Globetrotters na Praça de São Pedro, no Vaticano. Vatican Media, via REUTERS.