Jovens agostinianos, peregrinos de esperança

O 3º Encontro Latino-americano e Caribenho de Jovens Agostinianos (ELJA), realizado em Belo Horizonte, foi um momento de graça e de esperança! Momento de graça, porque celebrar a vida e a presença de nossos jovens é um presente, um dom precioso de Deus. E de esperança, porque, encontrando-nos com eles e elas, nosso coração se enche de alegria, fortalecemos a esperança de que o mundo pode ser melhor.

Nossos jovens, animados e orientados pela equipe de coordenação do evento, puderam viver o essencial do Encontro, como peregrinos, trazendo na mochila da alma muitas expectativas, experiências e sonhos, partilhados num clima de autêntica amizade e fraternidade agostinianas.

Entre as várias atividades, refletimos sobre o que seja ser um jovem agostiniano num mundo marcado por muitas mudanças. Vivemos uma “mudança de época”, com uma mudança de paradigmas, ou seja, o mundo contemporâneo passou e passa por várias revoluções. As revoluções mais significativas que temos vivido desde o final do século XIX aconteceram no campo demográfico, na área da física atômica e quântica, cibernética, computação, engenharia genética, novas concepções na área da afetividade e sexualidade, busca de energias renováveis… mais recentemente, a revolução telemática, digital, com o tsunami tecnológico, provocado pela algoritmização da realidade.

As mudanças fazem parte da vida, da história, do planeta. Mudanças sempre houve, mas em nossa era elas têm sido rápidas demais. Isso tem um enorme impacto na maneira de lidar com o tempo, o espaço, as relações. Evidentemente os jovens também são afetados por essas transformações.

A juventude se caracteriza por uma fase de transição entre a adolescência e a vida adulta, vista como uma fase de preparação para um exercício futuro de cidadania. Período que vai dos 15 aos 24 anos de idade (cf. Organização Mundial da Saúde). No Brasil, divide-se ainda em três grupos:  15-17 anos (jovens-adolescentes), 18-24 anos (jovens-jovens) e 25 -29 anos (jovens adultos). Trata-se de um período marcado pela busca de identidade, desenvolvimento de habilidades, questionamentos, vivência de novas experiências, construção de relações sociais e afetivas, um tempo de abertura à fé e espiritualidade.

Uma ocasião, o Papa Francisco fez uma provocação: “A juventude não existe! Quando falamos de juventude, muitas vezes nos referimos inconscientemente ao mito da juventude. Porém, gosto de pensar que a juventude não existe e quem existe em seu lugar são os jovens”.

Então, quando falamos em juventude, não podemos fazê-lo de forma abstrata, e o melhor é falar em juventudes, pois, considerando o imenso continente latino-americano e caribenho, temos diante de nós muitas realidades juvenis, nos muitos povos, línguas, etnias, culturas. Jovens das cidades e dos campos; de grandes cidades e de pequenas cidades. Devem ser levados em conta também o gênero, a condição social, a cor da pele, a religião, os projetos e as perspectivas de vida.

O continente latino-americano e caribenho possui uma área total de 20.139.378 km2. A população é de aproximadamente 667.885.994 habitantes (cf. Worldmeter). A idade média da população é de 31,7 anos. Na América Latina e Caribe, existem mais de 165 milhões de jovens entre 10 e 24 anos, representando uma parcela significativa da população. Essa faixa etária é crucial para o futuro da região, e investir em seu desenvolvimento é fundamental para o avanço da América Latina e do Caribe. No entanto, um número considerável de jovens, cerca de 20 milhões, nem estudam nem trabalham, o que levanta desafios para as políticas públicas. 

Há enormes desafios para os jovens do continente: pobreza, falta de oportunidades educacionais e de trabalho, enormes desigualdades, acesso limitado à tecnologia. No entanto, essa população também demonstra potencial para impulsionar o desenvolvimento da região, através de ideias inovadoras e ativismo em questões como justiça social e mudanças climáticas. Os jovens, como sujeitos de direitos e deveres, são chamados a ser protagonistas de seu destino. Por isso, as políticas públicas devem ser feitas de, com e para as juventudes.

Também na Igreja, os jovens têm um lugar e um papel muito importantes. A esse respeito, assim se expressou o Papa Francisco: “Os jovens chamam-nos a despertar e a aumentar a ESPERANÇA, porque trazem consigo as novas tendências da humanidade e abrem-nos ao futuro, de modo que não fiquemos encalhados na nostalgia de estruturas e costumes que já não são fonte de vida no mundo atual”.

Por sua vez, o Papa Leão XIV afirmou: “Os jovens do nosso tempo, como os de todas as épocas, constituem um vulcão de vida, de energias, de sentimentos, de ideias. Vê-se isso a partir das maravilhas que sabem fazer, em tantos setores. Contudo, também precisam de ajuda, para fazer crescer tanta riqueza em harmonia e para ultrapassar o que, embora de modo diferente em relação ao passado, ainda pode impedir o seu desenvolvimento saudável”.

Como todos os jovens, os jovens agostinianos trazem consigo sonhos, expectativas, temores, angústias, medos, frustrações, projetos, contribuições, esperanças. No Encontro tiveram a oportunidade de fazer novas amizades, compartilhar suas experiências, elementos de suas culturas, viver momentos de profunda espiritualidade, participar diariamente da Eucaristia, realizar saídas missionárias.

E puderam fazê-lo num clima de amizade e fraternidade agostiniana, como dito antes, à luz do carisma agostiniano: interioridade, comunidade e serviço, “unidos numa só alma e num só coração, orientados para Deus”. Também a eles foi dirigida a mensagem de Leão XIV que, recentemente, num diálogo com jovens, os exortou: “Queridos jovens, recordem que Deus criou cada um de vocês com um objetivo e uma missão nesta vida. Aproveitem então esta oportunidade para escutar, para rezar, de modo que possam sentir mais claramente a voz de Deus que os chama no profundo de seu coração”.

Como “peregrinos de Esperança”, nossos jovens agostinianos receberam uma missão: levar essa mensagem aos outros jovens com quem convivem e se encontram diariamente, pois é no dia a dia que podem ser os construtores de um mundo melhor para todos, mundo de paz, justiça, solidariedade e fraternidade.

Frei Luiz Antônio Pinheiro, OSA
Prior Provincial

Artigo publicado na coluna Reflexão, do Jornal Inquietude On-line, edição de julho de 2025.

Fotografia: Luciana Magalhães