Dia 8 de maio completa-se um ano da eleição do Cardeal Robert Francis Prevost como Papa, tendo escolhido o nome Leão XIV, sendo o 267º. Sucessor de São Pedro. Desde então, em todas as suas mensagens, discursos e homilias, ele começa com esta saudação: “A paz esteja com vocês!”. Mas não se trata de qualquer paz: como ele mesmo explicou, no dia de sua primeira aparição como Papa no balcão da basílica de São Pedro, é “a paz de Jesus Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e desarmante”.
Entre os vários qualificativos que o Papa agostiniano tem recebido, um dos mais marcantes é, sem sombra de dúvidas, o de “Papa da Paz”. O tema da paz tornou-se um dos principais de seu magistério. Basta acompanhar seus pronunciamentos: a paz está sempre em seus lábios. Insistentemente, ele tem denunciado as guerras e os conflitos internacionais como uma “vergonha para a humanidade”; nada se ganha com a guerra, tudo se perde sem a paz.
A paz não é simplesmente ausência de conflitos. Sua dimensão mais profunda e verdadeira encontra-se no reconhecimento da dignidade de cada pessoa humana e na promoção da boa convivência entre as pessoas, comunidades, religiões, povos e culturas. O Papa condena veementemente a indústria bélica e, na perspectiva agostiniana, segundo a qual “não basta desejar a paz, mas é necessário fazê-la acontecer”, vê a paz como um “dom ativo” de reconciliação, diálogo e perdão. A paz promove, respeita e defende a vida.
Recordando o ensinamento de Paulo VI, para o qual o desenvolvimento integral da pessoa humana e de todos os povos é o novo nome da paz, Leão XIV defende que a verdadeira segurança não nasce do medo ou do controle. Afirma também que a guerra nunca é inevitável e que as armas não resolvem os problemas, apenas os aumentam. Ao invés de se destinarem os recursos para aumentar a produção das armas, esses devem ser orientados para questões humanitárias, como a erradicação da fome, por exemplo. O foco é sempre a vida, a promoção de relações pacíficas e respeitosas entre as pessoas, povos e nações.
Leão XIV insiste que os líderes mundiais devem encontrar-se, dialogar e negociar, superando visões maniqueístas. Jamais um povo deve querer eliminar o outro em nome de uma pretensa segurança internacional. A paz é uma força que gera resiliência e esperança, sendo por ele vista como um “contínuo recomeçar”, que exige tenacidade e perseverança, mesmo diante de aparente derrota. Enquanto alguns líderes mundiais vociferam ordens de invasão, ataque e domínio, Leão XIV, de forma serena e corajosa, tem buscado engajar a “maioria silenciosa” da humanidade a optar pela paz em tempos de alta conflitividade global.
O movimento pela paz começa em cada coração e, como uma onda incessante, que vai e vem, se estende na relação com as pessoas próximas, atingindo, de forma misteriosa, mas real e fecunda, esferas cada vez mais amplas no seio das sociedades e da comunidade internacional. Por isso, ele insiste que, para quem tem fé, a primeira atitude em prol da paz é rezar ininterruptamente pela paz. E anuncia, fundamentado no Evangelho, que a paz de Cristo se manifesta como uma “amizade indissolúvel” a ser cultivada interiormente e irradiada.
Mais do que nunca, continua atual a sua mensagem para o Dia Mundial da Paz, ao recordar o que disse no dia de sua eleição, que a paz do Cristo Ressuscitado é uma paz desarmada “porque desarmada foi a sua luta dentro de precisas circunstâncias históricas, políticas e sociais”. Desarmante porque “a bondade é desarmante. Talvez por isso Deus se tenha feito criança”. Ele deseja que um dos frutos do Jubileu da Esperança seja o “desarmamento do coração, da mente e da vida”. Essa paz provém de Deus, “o Deus que nos ama a todos incondicionalmente”.
Com voz altissonante, o Papa proclama: “Cristo, nossa paz. A sua presença, o seu dom e a sua vitória reverberam na perseverança de muitas testemunhas, por meio das quais a obra de Deus continua no mundo, tornando-se ainda mais perceptível e luminosa na escuridão dos tempos”.
Ao olharmos o mundo ao nosso redor, podemos ser tentados a achar que o ódio, a violência e a morte têm a última palavra. No entanto, a paz tem o “sopro da eternidade”: “enquanto ao mal se ordena ‘basta!’, à paz se suplica ‘para sempre’”. O Ressuscitado introduziu-nos nesse horizonte. É nesse sentir que vivem os promotores da paz.
Uma vez mais, o filho de Santo Agostinho recorda que o bispo de Hipona “exortava os cristãos a estabelecerem uma amizade indissolúvel com a paz, para que, guardando-a no íntimo do próprio espírito, pudessem irradiar o calor luminoso ao seu redor. Dirigindo-se à sua comunidade, ele escreveu: ‘Se quereis atrair os outros para a paz, tende-a vós primeiro; sede vós, antes de tudo, firmes na paz. Para inflamar os outros, deveis ter dentro de vós a luz acesa’”.

Frei Luiz Antônio Pinheiro, OSA
Prior Provincial
Artigo publicado na edição especial do Jornal Inquietude On-line, em homenagem ao primeiro ano do pontificado do Papa Leão XIV – 8 de maio de 2026.
Foto: @VaticanMedia
Papa Leão XIV convida todas as pessoas a rezar pelo desarmamento e a paz, em março de 2026.