Papa Leão XIV conclui visita apostólica à Espanha: erguer o olhar para construir pontes

Com o lema “Alzada la mirada” (Olhar Erguido), a visita apostólica do Papa Leão XIV à Espanha, foi realizada entre os dias 6 e 12 de junho de 2026 e mobilizou milhões de fiéis.

Durante sete dias, o Papa percorreu Madri,Barcelona e as Ilhas Canárias (Gran Canária e Tenerife), com um agenda de compromissos voltados especialmente à paz, à juventude e à crise migratória. “Somos todos migrantes“, disse o Papa ao pedir um olhar mais humano para os migrantes.

Confira os principais destaques da programação:

6 de junho
O rei Felipe VI, a rainha Letizia e o primeiro-ministro Pedro Sánchez, receberam o Papa Leão XIV no aeroporto da capital espanhola. No Palácio Real, em Madri, dirigiu-se às autoridades e ao corpo diplomático, defendendo o diálogo como caminho para superar polarizações.

No Parlamento Espanhol, discursou em sessão conjunta no Congresso dos Deputados, afirmando que a paz é uma exigência moral e pedindo políticas voltadas ao bem comum, à dignidade humana e à proteção dos mais vulneráveis.

Leão XIV visitou o projeto social “CEDIA 24 horas” da Cáritas, voltado a pessoas em situação de rua e celebrou no santuário de Santa Maria de Rotonda com os acolhidos em casas de assistência e que participam do centro de escuta na cidade de Albano. Leão XIV lembrou a todos: “Somos a Igreja do Senhor, uma Igreja de pobres, todos preciosos”.

À noite, a vigília de oração na Praça de Lima, reuniu cerca de 600 mil jovens, marcando profundamente a viagem apostólica. Em um ambiente de silêncio, música e adoração, o Papa respondeu a seis perguntas, oferecendo uma catequese profunda e acessível. Ele convidou os jovens ao silêncio interior para reconhecer a voz de Deus, rejeitou a violência e a guerra e fez um apelo à autenticidade: “Sejam humanos, rostos confiáveis, com honestidade e integridade, humanos como Cristo.”

7 de junho
O Papa presidiu em Madri, a Missa pela solenidade de Corpus Christi na Plaza de Cibeles. Em sua homilia, recordou que Corpus Christi celebra o dom da presença viva de Cristo, que continua a alimentar o seu povo e a caminhar com ele ao longo da história. “Jesus está vivo e continua a passar no meio de nós”.

E reuniu-se com aproximadamente220 religiosos e religiosas da família agostiniana em Madri. Com palavras de gratidão pela oportunidade de se encontrar, o Papa enfatizou como a comunhão e a unidade de coração entre os agostinianos podem servir de mensagem para o mundo neste momento da história. Observando a presença de irmãs contemplativas, destacou que “o valor da sua vocação, também para dar sentido à ação social, numa altura em que o silêncio e a capacidade da humanidade de entrar no próprio coração estão a ser perdidos.” Recordando sua pertença à Ordem, destacou a fraternidade como testemunho essencial: “A fraternidade é uma forma concreta de evangelização.”

8 de junho
No primeiro compromisso do sia, o Papa reuniu-se com o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez Pérez-Castejón, na Nunciatura Apostólica.
No Congresso dos Deputados, o Papa enfatizou que, para além da legítima diversidade de posições, a missão legislativa depara-se com uma questão decisiva: que concepção da pessoa humana inspira as leis e que tipo de sociedade essas leis constroem?

Qual é o caminho da Igreja diante das atuais transformações culturais, sociais e religiosas? Essa foi a proposta pelo Papa Leão XIV em seu encontro com os bispos da Espanha na segunda-feira, 8 de junho, na sede da Conferência Episcopal em Madri.

Um caloroso acolhimento marcou o encontro do Papa Leão XIV com a comunidade diocesana de Madri. Mais de 80 mil fiéis lotaram o estádio Santiago Bernabéu para receber Leão XIV. “O amor é a linguagem que faz todos se sentirem em casa”, disse o Papa Leão.

9 de junho
Quase 18 mil voluntários que trabalharam para a visita de Leão XIV à cidade de Madri, receberam a gratidão e o reconhecimento do Papa. No encontro com os voluntários, Leão XIV disse: “Voluntários e voluntárias, cada um de vocês e muitos outros que não puderam estar aqui nesta manhã, merecem um ‘obrigado’ muito especial, porque ofereceram a presença e o serviço de vocês, e o fizeram por amor ao Senhor, à Igreja e ao Papa. Obrigado de todo o coração!”

Em Barcelona, o Papa foi acolhido no aeroporto e dirigiu-se para a Catedral da Santa Cruz e Santa Eulália, para a oração da Hora Média. Após o momento de oração, visitou o túmulo de Santa Eulália, no interior da catedral. Dirigindo-se ao exterior do templo, saudou os fiéis reunidos. “Que celebremos todos a fé em Cristo, que nos chamou a viver como um só corpo, reunidos em uma mesma fé”, expressou.

Cerca de 40 mil pessoas participaram de uma vigília de oração no Estádio Olímpico Lluís Companys, em Barcelona, capital da Catalunha. A vigília foi marcada, por um momento de diálogo do Papa com os jovens sobre diversos temas. “Nas noites escuras da fé, devemos seguir buscando a luz do Senhor“. 

10 de junho
Em visita ao Centro Prisional Brians 1, em Barcelona, Leão XIV recordou que nenhuma pessoa perde a sua dignidade aos olhos de Deus. “Os erros não determinam quem somos.” Além de acolher homens e mulheres em regime prisional, o local abriga uma unidade hospitalar psiquiátrica de referência para todo o sistema penitenciário catalão.

Na Abadia de Nossa Senhora de Montserrat, Leão XIV rezou o Terço e ressaltou, a intercessão materna de Maria.  Do balcão da abadia saudou os fiéis e agradeceu pela presença e pela bela manifestação de fé. O Papa também agradeceu à comunidade de fé e aos monges por acolherem a tantos peregrinos que visitam a abadia para rezar a Nossa Senhora. “Maria, que Jesus nos deu como mãe na cruz e nos acompanha, é expressão de amor materno e nos acompanhará sempre”, concluiu.

Papa Leão inaugurou a torre central da Basílica da Sagrada Família, no dia do centenário de morte do venerável Antoni Gaudí, idealizador do templo; Papa destacou que, ao admirar esta torre, eleva-se o olhar para Cristo. Este foi o último compromisso do Papa em Barcelona. 

11 de junho
Nas Ilhas Canárias, uma das principais fronteiras migratórias da Europa, que em 2024, registrou um recorde histórico de 41.425 migrantes provenientes da África Ocidental, o Papa Leão XIV esteve com migrantes e organizações que os assistem. Leão XIV denunciou a indiferença diante das mortes no mar e defendeu políticas que garantam dignidade a todos. “O mundo não pode se acostumar a contar os mortos”.

Às vésperas da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus na quinta-feira, 11 de junho o Papa celebrou em Tenerife. Em sua homilia, refletiu sobre o amor gratuito de Deus. Na humanidade de Jesus e nos movimentos de seu Santíssimo Coração, prosseguiu o Papa, é revelado o amor imutável e fiel de Deus, mesmo perante a incompreensão e a rejeição, o medo, a tristeza e a resistência humana.

12 de junho
Leão XIV encontrou-se com migrantes no Centro de Acolhimento “Las Raíces”, em Tenerife e recordou a herança missionária das Canárias, citando São José de Anchieta. “Todos nós, de certa forma, somos migrantes. Todos somos peregrinos a caminho da pátria celestial. Ajudemo-nos uns aos outros a fazer desta travessia um lugar mais humano para todos, contribuindo com o que estiver ao alcance de cada um”, concluiu Leão XIV.

No aeroporto de Tenerife, Leão XIV participou de cerimônia de despedida e embarcou no avião com destino à Roma.

Imagens: VaticanMedia
Fonte: VaticanNews