Colóquio da Faculdade Jesuíta debate Inteligência artificial e humanismo cristão

Durante o VI Colóquio Interfaces, realizado pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE) entre os dias 20 e 22 de maio de 2026, Frei Luiz Antônio Pinheiro, OSA e Frei Jeferson Felipe Cruz, OSA, participaram com contribuições acerca do tema “Interfaces do humano no século XXI: no limiar entre o humano, o animal, o artificial e o divino”.

No dia 21 de maio, Frei Jeferson Felipe Cruz, OSA mediou o painel “No limiar entre o humano e o transumano”, com a participação de Frei Luiz Antônio Pinheiro, OSA, da professora Adelaide Pimenta, da PUC Minas.

Durante o painel, Frei Luiz Antônio aprofundou a reflexão sobre a permanência do gnosticismo na contemporaneidade, relacionando o tema com a compreensão atual de humanismo. A abordagem dialogou com sua trajetória acadêmica, especialmente com sua tese de doutorado e o livro que publicou sobre o gnosticismo. A reflexão destacou como antigas correntes de pensamento continuam influenciando a forma como o ser humano compreende a si mesmo no contexto das transformações tecnológicas.

A discussão também abordou as chamadas “fronteiras” ou “limiares” entre o humano, o animal, o artificial e o divino — uma questão central do Colóquio. Nesse horizonte, foram levantadas reflexões sobre o transumanismo e o pós-humanismo, especialmente diante do avanço da inteligência artificial e das novas tecnologias. Um dos pontos do debate foi a pergunta: que tipo de humanismo é necessário resgatar hoje à luz da teologia e das orientações da Igreja?

Além da mediação do painel, Frei Jeferson apresentou a comunicação intitulada “Teologia do Descanso: uma opção cristã ao paradoxo evolutista”, contribuindo com uma perspectiva teológica sobre o ritmo da vida humana em contraste com a lógica de produtividade e superação contínua presente em muitas propostas contemporâneas.

O VI Colóquio Interfaces teve como proposta ampliar o debate sobre o que é próprio do humano no século XXI. Para isso, articulou duas grandes questões: a relação entre o ser humano e os animais, refletida também no campo da ecologia; e a relação entre a razão humana (logos) e a inteligência artificial. Essas interfaces foram pensadas a partir da ideia de “limiar”, entendida não apenas como limite, mas como espaço de passagem e transição.

A partir de uma perspectiva teológica, especialmente em chave cristológico-trinitária, o Colóquio buscou iluminar essas questões, incluindo também a relação entre o humano e o divino. Nesse sentido, a reflexão proposta abre caminhos para compreender melhor os desafios contemporâneos colocados pelo transumanismo e pelo pós-humanismo, mantendo no centro o valor e a dignidade da pessoa humana.

A participação dos freis agostinianos no evento reforça o compromisso com o diálogo entre fé e cultura, contribuindo para uma reflexão atualizada e crítica sobre os rumos da humanidade diante das novas fronteiras do conhecimento e da tecnologia.