Rede Brasileira de Justiça e Paz reflete sobre papel das Igrejas nas Eleições Gerais de 2026

O 5º Encontro Nacional da Rede Brasileira de Justiça e Paz reuniu, em Brasília, de 27 de fevereiro a 1º de março de 2026, religiosas, religiosos e leigos comprometidos com a missão sociotransformadora da Igreja. Frei Paulo Cintra, OSA, participou representando a Comissão Provincial de Justiça, Paz e Integridade da Criação, da Província Nossa Senhora da Consolação do Brasil e a CRB Minas. O tema “Sinodalidade e profecia para fortalecer a democracia no Brasil: o papel das Igrejas nas Eleições Gerais de 2026”, inspirou três dias de reflexão, análise e discernimento sobre os desafios sociais, políticos e eclesiais do país diante das próximas eleições.

A abertura da programação, no dia 27, foi coordenada por Thiago Godoy e Ir. Mara, dentro do eixo “Celebrar – Ver”. A reflexão inicial contou com a participação virtual de Dom Vicente Ferreira, que apresentou uma análise da caminhada da Igreja à luz das eleições da CNBB e do processo sinodal em curso. Ele destacou que a sinodalidade é dimensão constitutiva da Igreja e exige discernimento comunitário diante dos sinais dos tempos.

Em seguida, João Sana e Ir. Michele Silva conduziram a análise de conjuntura socioambiental, econômica e política. O deputado Reimont apresentou uma leitura crítica do cenário atual, enfatizando tensões democráticas, desafios ambientais e a urgência de fortalecer a participação cidadã. Ressaltou ainda que a fé cristã, quando encarnada na realidade, exige compromisso público com a justiça social e a defesa da Casa Comum.

Na sequência, Gilberto Carvalho, Secretário Nacional de Economia Solidária, abordou os elementos econômicos que influenciam o processo eleitoral de 2026, destacando a centralidade do trabalho digno, da economia solidária e da superação das desigualdades estruturais.

E a advogada Cristina Gross Villanova tratou da segurança pública sob a perspectiva dos direitos humanos, alertando para soluções punitivistas e defendendo políticas baseadas na prevenção, inclusão social e promoção da dignidade humana.

O segundo dia do encontro, organizado no eixo “Celebrar – Discernir”, aprofundou a dimensão teológico-pastoral do tema. A mesa foi aberta por Romi Bencke, que refletiu sobre a profecia em tempos de manipulação religiosa por setores da extrema-direita, destacando a necessidade de vigilância pastoral e de formação crítica das comunidades para impedir que a fé seja instrumentalizada por projetos autoritários. Em seguida, Cesar Kuzma tratou da espiritualidade sinodal como fundamento da ação eclesial, sublinhando a importância da escuta, do diálogo e do discernimento comunitário como atitudes essenciais para a presença pública da Igreja.

A discussão sobre ecologia integral pós-COP30 foi conduzida por Moema Miranda, que relacionou a crise climática à responsabilidade política das Igrejas, reafirmando que a conversão ecológica deve influenciar também as escolhas eleitorais e a elaboração de políticas públicas. Encerrando a mesa, Daniel Seidel apresentou a inspiração da encíclica Fratelli Tutti no Projeto Encantar a Política, ressaltando a política como expressão do amor social e caminho para o bem comum. Após as exposições, os participantes se organizaram em grupos de trabalho: JPIC da CRB e Famílias Religiosas, CJPs (Arqui)diocesanas e Regionais e CBJP, para planejar ações pastorais e formativas capazes de traduzir as reflexões do encontro em práticas concretas.

No domingo, 1º de março, o eixo “Celebrar – Agir” reuniu as propostas construídas pelos grupos. Entre as ações aprovadas estão a elaboração de uma cartilha eleitoral, a produção de materiais para redes digitais, a formação específica para agentes de pastorais e organismos eclesiais, a participação nos espaços de decisão e articulação da CNBB, como CEPAST, CONSEP, Conselho Permanente e Assembleia, além da presença em encontros das pastorais sociais, no grupo de análise de conjuntura, no grupo de bispos “Diálogo pelo Reino” e no Núcleo de Direitos Humanos da REPAM Brasil. Também foram aprovadas por unanimidade, três moções da Comissão Brasileira de Justiça e Paz: sobre a nova guerra no Oriente Médio; de apoio aos povos tupiniquim e guarani de Aracruz (ES); e de pesar e repúdio à violência sofrida pela Irmã Nadia Gavanski e pelas mulheres brasileiras.

O encontro reafirmou que sinodalidade e profecia são dimensões inseparáveis da missão da Igreja.
Para a família agostiniana, esse chamado se traduz em viver a comunhão que gera compromisso, unindo interioridade e ação transformadora. Diante das Eleições Gerais de 2026, somos convocados a contribuir, com lucidez e responsabilidade, para o fortalecimento da democracia, da justiça e da dignidade humana.