A ORDEM DE SANTO AGOSTINHO NA ONU

A Ordem de Santo Agostinho (OSA) está associada à Organização das Nações Unidas (ONU) como uma organização não governamental, trabalhando em estreita colaboração com a Missão Observadora Permanente da Santa Sé e outras organizações não governamentais religiosas e civis. Qual o significado e importância dessa participação?

O Concílio Vaticano II deu uma orientação clara para a renovação da Igreja e de todas as suas entidades, entre as quais, a Vida Religiosa: abrir-se ao mundo, para valorizar suas melhores iniciativas e colaborar com todos os homens e mulheres de boa vontade para construir um mundo melhor para todos. O Papa João XXIII convidava-nos a estar atentos aos “sinais dos tempos”, a fim de anunciar o Evangelho de forma compreensível e credível ao mundo contemporâneo.

Desde então, a Ordem de Santo Agostinho, atendendo a esse apelo, sempre tem procurado prestar atenção à situação do mundo de hoje. O nosso planeta já superou os oito bilhões de habitantes. No entanto, ainda hoje dois terços da população vivem na pobreza e um bilhão não tem as mínimas condições para uma vida digna, encontrando-se na linha de uma enorme vulnerabilidade social. Mas é também um mundo rico em conhecimento, tecnologia e ciência e, sobretudo, rico em humanidade e recursos espirituais.

A primitiva comunidade cristã de Jerusalém ficou conhecida por compartilhar a vida e os bens materiais, as alegrias e as esperanças, praticando a solidariedade e a caridade. Esta experiência foi um ponto de referência para Santo Agostinho quando formou sua primeira comunidade e durante todo o seu ministério como pastor da Igreja de Hipona. E tornou-se uma referência para os Agostinianos em todas as suas obras e atividades.

“Ter um só coração e uma só alma totalmente centrada em Deus”, “compartilhar os bens com os mais necessitados” e “ter todas as coisas em comum” são nossas propostas de um estilo de vida na atualidade, o mesmo que Agostinho escolheu para sua Comunidade. Acreditamos que esse projeto de vida constitui um belo testemunho de vida para os tempos atuais e deve ser divulgado em todas as esferas possíveis, entre as quais a ONU.

Qual é então, nosso papel na ONU? Propomo-nos a apoiar e promover a educação pela cultura da paz, a promoção e defesa dos Direitos Humanos, a erradicação da fome, o cuidado da Casa comum, a sustentabilidade do planeta, a valorização das culturas e o diálogo entre os povos. Através de nossa associação com a ONU, a Família Agostiniana tornará muito mais frutífero o testemunho que damos da vida em comum e o trabalho da educação, o desenvolvimento e a promoção dos direitos humanos, sobretudo o anúncio e defesa da fundamental dignidade de todos os seres humanos e de toda a criação.

Nesse sentido, nosso papel é animar a consciência e a preparação de todos os Agostinianos e nossos colaboradores na missão de educar e promover a cultura da paz, da justiça social e da integridade da criação. Entre outras coisas, familiarizar nossos colaboradores com as declarações, os projetos e as atividades das Nações Unidas naquilo que é compatível com o Evangelho, especialmente no campo da educação, dos direitos humanos, da erradicação da fome, atenção aos migrantes, respeito à vida, sustentabilidade do planeta. Um dos mecanismos para atingir este fim é a criação de comissões ou secretariados de Justiça, Paz e Integridade da Criação em nossas circunscrições.

Nossa Província da Consolação conta com uma comissão, que já tem dado alguns passos, entre os quais, promovendo encontros nessa linha e participado de um Grupo de Trabalho para o efetivo desenvolvimento do ILALI – Centro Agostiniano em Ecologia Integral, situado na cidade de Mário Campos/MG.

O Papa Francisco insistia sempre em que devemos buscar um estilo de vida mais simples e sóbrio, como caminho alternativo para o desperdício e o consumismo que marcam o mundo atual. Santo Agostinho, já em seu tempo, exortava seus contemporâneos: “Deus não te exige demasiado. Pede somente que lhe devolvas o que te deu e tome dele o necessário para ti. O supérfluo dos ricos são as necessidades dos pobres. Quando tu possuis coisas supérfluas, possuis o que pertence aos demais” (Comentário do Salmo 147,12).

O sonho de Deus é um mundo reconciliado, fraterno, solidário, onde todos participem da mesa do banquete do Reino dos Céus. A esse propósito, Santo Agostinho comenta: “Tu dás pão a quem tem fome, mas seria melhor que não houvesse famintos e não precisasses dar nada a ninguém. Vestes o desnudo. Seria melhor que todos estivessem vestidos e que esta necessidade não existisse” (Tratado sobre a 1ª. Carta de São João 8,8).

Há na Ordem muitas iniciativas que concretizam o ideal agostiniano. Precisamos divulgá-las mais. A ONU é, sem dúvida, um desses espaços privilegiados. Parabéns a nossos representantes oficiais na ONU por seu belo trabalho.

Frei Luiz Antônio Pinheiro, OSA
Prior Provincial