Com Santo Agostinho, peregrinos da esperança!

Na travessia da vida, marcada por buscas, perguntas e incertezas, a esperança não pode ser um adorno ou um recurso de emergência: ela é combustível. Como nos inspira Santo Agostinho: “A esperança de chegar é ânimo para andar” (Sermão, 158,8). Em tempos em que muitas portas parecem se fechar e sonhos são facilmente desacreditados, cultivar a esperança é mais do que resistir — é responder, com fé e coragem, ao chamado que Deus sussurra no coração de cada pessoa, especialmente de cada jovem que deseja responder à inquietude que habita em seu coração.

Neste ano de 2025, a Igreja nos convida com o Ano Jubilar à missão de sermos peregrinos da esperança. Ser peregrino da esperança é assumir que o caminho é feito de passos dados, mesmo quando a direção ainda não está totalmente clara. Santo Agostinho aconselha: “O que é andar? Brevemente respondo: avançar. (…) Examina-te a ti próprio. Que sempre te desagrade o que és, se queres chegar ao que ainda não és” (Sermão 169, 15,18). A juventude não é tempo de estagnação, mas de crescimento. Não se trata de já ter todas as respostas, mas de se colocar em movimento, confiando que Deus revela o caminho a quem ousa caminhar com o coração aberto.

Construir um projeto de vida, na perspectiva vocacional, exige lucidez, coragem e fé. Em meio às exigências do mundo e às vozes confusas que tentam desviar os passos, é a esperança que orienta o olhar e sustenta a caminhada. “Cresce sempre, caminha sempre, avança sempre; não fiques no caminho, não voltes atrás, não te desvies”, ensina Agostinho em seu sermão 169. Quem se reconhece em processo, em busca, compreende que o tempo da juventude é o solo fértil para semear decisões que dão sentido à vida.

A história de Santo Agostinho mostra que ninguém nasce pronto. Seu coração inquieto passou por muitas estradas até se deixar encontrar por Deus. Mas ao se entregar ao Amor verdadeiro, encontrou sentido para todo o seu percurso. Ele nos exorta: “Procura progredir sempre, não importa os anos que tenhas” (Sobre a Ordem 2,8). A vocação, seja ela qual for, nasce desse desejo de avançar, de viver por algo maior, de entregar-se com generosidade e esperança.

Não existe vocação sem esperança. Ela é a virtude que nos ajuda a caminhar mesmo quando tudo parece lento ou silencioso. A esperança cristã, porém, não é uma ilusão otimista — ela é ancorada na fé em um Deus que promete estar conosco até o fim. Como Agostinho experimentou, Deus está mais íntimo de nós do que nós mesmos. Por isso, vale a pena confiar, esperar, recomeçar, abrir-se ao novo. Cada um que se deixa tocar por essa esperança torna-se sinal de luz para os que ainda estão parados na beira da estrada.

Ser peregrino da esperança, à luz da espiritualidade agostiniana, é também caminhar com os outros. Agostinho acreditava profundamente na vida comunitária, na partilha de sonhos e na comunhão dos corações. Na vocação agostiniana, ninguém caminha só. A escuta fraterna, a vida em comum, o serviço ao povo de Deus e a busca constante pela Verdade são meios pelos quais a esperança se concretiza em cada passo do itinerário vocacional.

Por isso, jovem, não caminhe sozinho. A vocação não é um fardo, mas uma resposta amorosa ao chamado de Deus, que quer fazer da tua vida um dom para o mundo. Cada coração inquieto, quando sustentado pela esperança e iluminado pela Palavra de Deus, é capaz de realizar grandes coisas. Que tua esperança não esfrie. Caminha, cresce, avança, como verdadeiro peregrino da esperança!

Em Cristo, nosso Irmão.

Frei Caio Pereira, OSA
Secretário de Animação Vocacional e Juvenil dos Agostinianos

Artigo publicado na coluna Pró-vocações, do Jornal Inquietude On-line, edição de julho de 2025.

Imagem: Arquivo Província da Consolação – ELJA 2025