11ª Assembleia Provincial reforça planejamento, unidade e missão agostiniana

Realizada entre os dias 2 e 6 de junho, na cidade de Atibaia (SP), a 11ª Assembleia Provincial da Província Agostiniana Nossa Senhora da Consolação do Brasil reuniu os freis em um encontro marcado pela fraternidade, oração, escuta e decisões colegiadas. A programação incluiu momentos de partilha, revisão e alinhamento do planejamento provincial, envolvendo paróquias, centros educativos e unidades administrativas.

“É uma ocasião de vermos como estamos trabalhando em prol do Reino de Deus”, afirmou o Prior Provincial, Frei Luiz Antônio Pinheiro, OSA, ao destacar o espírito sinodal que permeou os trabalhos.

Raízes históricas e missão viva
A abertura da Assembleia foi marcada pela celebração da Missa na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Bragança Paulista (SP), local que simboliza não apenas a presença atual dos agostinianos, mas o início da missão da Ordem na região. Desde o início do século XX, diferentes grupos de agostinianos atuaram ali, com destaque para os religiosos provenientes das Ilhas Filipinas, da Província de Castela e da Província Matritense.

Frei Luiz resgatou esse legado histórico em sua homilia, lembrando que os primeiros agostinianos chegaram ao Brasil em 1899, vindos das Filipinas, como resposta à expulsão dos religiosos após a Revolução Filipina. Foram mais de 500 freis realocados, muitos dos quais vieram para o Brasil, iniciando missões em São Paulo, Minas Gerais e no Amazonas.

Esses primeiros grupos se estabeleceram na região bragantina entre 1906 e 1922, principalmente em Bom Jesus dos Perdões, antes mesmo da criação da Diocese de Bragança Paulista. Em 1933, com a iminência da Guerra Civil Espanhola, a Província de Castela enviou outro contingente de frades ao Brasil, entre eles jovens em formação e professores, como Frei Cristino Grande e Frei Alcâncio. Eles fundaram comunidades religiosas e atuaram fortemente na educação, pastoral e formação de novos religiosos.

Memória agradecida e presença missionária
Durante os cinco dias da Assembleia, os religiosos se dedicaram a reflexões, trabalhos em grupo e discussões sobre temas centrais à vida e à missão da Província. Frei Luiz apresentou um panorama da atuação agostiniana na região bragantina, destacando elementos simbólicos, como a imagem de Nossa Senhora de Nazaré trazida de Barcelona, os marcos históricos como a Praça Padre Domingos Segurado, em Joanópolis, e o Monumento ao Sagrado Coração de Jesus, em Atibaia, datado de 1957.

A programação incluiu visitas às comunidades onde os primeiros frades atuaram, como a Paróquia São João Batista, em Atibaia, e o Santuário Bom Jesus, em Bom Jesus dos Perdões – considerado o templo mais antigo da Diocese de Bragança Paulista e elevado a santuário diocesano ainda em 1907.

A Missa de encerramento, presidida no Santuário Bom Jesus pelo Prior Provincial, foi marcada pela memória agradecida aos frades que passaram por ali e deixaram um testemunho de fé. Frei Luiz ressaltou o compromisso daqueles que “entregaram sua vida movidos pela fé na Ressurreição de Cristo”, desde os primeiros missionários até os religiosos que atuaram na formação, na educação e na evangelização do povo.

“Que nós possamos assim, sempre com alegria, testemunhar a nossa fraternidade. Essa é uma das coisas bonitas da nossa Igreja: em qualquer lugar que estivermos – desde uma grande catedral, a uma simples capela, ou um santuário belíssimo como esse –, nos sentimos em casa. Somos família, filhos e filhas, irmãos e irmãs na mesma fé que nos congrega. Que Deus abençoe a todos e que sempre sintamos a alegria de testemunhar essa fraternidade, essa unidade que vem do Senhor”, afirmou Frei Luiz.

Continuidade e fidelidade à missão
Segundo o Prior Provincial, a retomada da tradição de realizar a Assembleia de meio de ano em uma das frentes missionárias da Província ganhou novo fôlego no período pós-pandemia, fortalecendo o senso de pertença e o vínculo com a missão recebida dos antepassados. “Em Bragança Paulista, celebramos quase um século da presença agostiniana nesta região”, destacou.

A Assembleia reafirmou, assim, o compromisso com a evangelização, a vida comunitária e o legado de uma história que continua a inspirar os caminhos da Província. De Atibaia ao futuro, os agostinianos seguem animados pela certeza da presença viva de Cristo e pelo desejo de servir com alegria, unidade e fidelidade ao Evangelho.